Quando comecei a namorar meu marido, uma das histórias do seu passado, contada por minha sogra, era sobre uma menina que inventava histórias fabulosas entre eles.
Uma vez, ela inventou para o condomínio inteiro que os dois haviam viajado juntos para São Paulo. Qual não foi a surpresa das pessoas que o viram circulando na cidade logo no dia seguinte.
Em outra ocasião, eles foram para o Rio de Janeiro.
Por último, ela tentou se suicidar.
História maluca? Acredite, vai piorar.
Há dois anos atrás, conheci essa menina num grupo de pessoas.
Nossa! Suas histórias eram realmente mirabolantes e fantasiosas.
Na época, não dei muita importância aos fatos.
Agora, dois anos depois, nos reencontramos.
Por incrível que pareça, as histórias ficaram ainda mais fantásticas!
Era um emprego numa multinacional em São Paulo (ela tem um 'affair' com essa cidade), salário fantástico, namorada nova (nesse meio tempo, ela virou lésbica) e um filho de 4 ou 5 meses.
De tudo que ela contou, posso dizer com certeza que aquela multinacional não tem filial em Sampa, que só um engenheiro pode vir a ter o salário que ela afirmava ganhar, e um conhecido em comum nos contou que ela nunca esteve grávida, e o filho era apenas mais uma de suas mentiras.
Passei a sentir pena dessa menina, pois alguém que mente tanto só pode ser uma pessoa atormentada e sozinha. Comecei a não dar mais importância às coisas que contava, e nem perguntava mais a respeito de nada, mas não mudei a minha maneira de tratá-la.
Até que, no último domingo, outra pessoa do nosso grupo, veio contar-me que as suas mentiras começavam a ficar sérias: a menina havia espalhado para todos os grupos daquela escola que o pai do seu filho era o meu marido.
Foi um choque.
Em momento algum pensei que meu marido poderia ter me traído ou algo parecido, mas estava surpresa com a sitação.
Naquele momento, percebi que estava sentindo exatamente o que as pessoas sentem quando descobrem uma mentira minha.
Depois disso, não consegui mais ser a mesma com essa menina. Mal podia olhar em seus olhos.
Ela inventou várias outras histórias envolvendo o suposto filho do meu marido (já contei que essa criança não existe?), mas eu a afastei do nosso grupo.
Eu não tive a mesma nobreza que as outras meninas tiveram comigo há duas semanas atrás. Elas me perdoaram, e continuaram minhas amigas, mas não tive essa capacidade.
Hoje entendi a gravidade de todas as coisas que já fiz, e de todas as mentiras que já contei.
Depois disso, pensei muito a respeito de tudo que aconteceu, e isso me fez entender o quanto é necessário que eu mude para não perder as pessoas que amo.
Sempre é tempo de recomeçar.
Admitir que sou uma pseudolálica foi o primeiro passo. O tratamento com um profissional (psiquiatra) foi o seguinte. Agora farei terapia. Tudo que estiver ao meu alcance para controlar essa doença mental, que não tem cura, eu farei! Aqui, será um diário do meu tratamento. Será uma forma de desabafar, de dividir o que está acontecendo comigo com aqueles que não encontram ajuda.