Essa é uma pergunta que eu realmente gostaria de responder.
Tudo que sinto é muito intenso. Assim como estou tendo um momento lindo com uma amiga, confidenciando coisas reais sobre minha vida e lhe dizendo o quanto sua amizade é importante para mim, em seguida começo a inventar uma história para deixar “minha vida” mais interessante.
Esse paradoxo acaba por enlouquecer-me. Claro que tenho características negativas como todos os seres humanos, mas até posso me considerar uma boa pessoa.
Sou alegre, fiel, leal, amorosa, carinhosa, entre outras qualidades. Por outro lado, sei que sou irascível, mandona, arrogante, egocêntrica...
Sei quando gosto de verdade de alguém, sinto remorso quando percebo que pisei na bola, dói quando me magoam e fico muito irritada quando sou ludibriada. Também sei que acabo sendo estúpida quando as coisas não saem do jeito que quero, que demoro a admitir que estou errada, que ajo impulsivamente e só bem depois penso nas conseqüências dos meus atos, e que na maioria das vezes me acho dona da verdade e da razão (entenda-se por maioria das vezes 99,9% do tempo).
Se eu procurar uma explicação astrológica para esse turbilhão todo, talvez alguém me diga que isso se deve ao fato de que meu signo é Touro com ascendente em Leão.
Desde que percebi que meu mundo era de papel em dia de chuva e que tudo que achava que tinha conquistado era simplesmente ilusão, estou nessa luta para tentar melhorar.
Demorei mais de trinta anos da minha vida para perceber que tenho muito mais a melhorar do que imaginava.
Uma coisa que ainda não aprendi a lidar de jeito nenhum é com o fato de algumas pessoas não gostarem de mim, independente da culpa ser minha ou não. É muito difícil admitir que não sou aquele ser tão amado e admirado por todos como havia criado em meu mundinho imaginário.
Desde que comecei a perceber de verdade tudo isso, tenho travado uma batalha diária comigo mesma para mudar, o que é muito difícil depois de ter tido as mesmas atitudes por tanto tempo. Equivale àquela mulher casada há vinte anos que ao se divorciar não sabe o que fazer num sábado à noite.
A comparação me pareceu bastante apropriada. Fui casada com a mentira por mais de trinta anos, e ainda não consegui o meu divórcio.
Depois dessa enxurrada de coisas ruins, alguma coisa de bom tinha de ter nisso tudo. Fiz uma grande análise dos meus atos, e tomei o maior cuidado para não ser auto-indulgente. De todas as mentiras que contei, a maior parte delas, aproximadamente 99,9% delas foram auto-enaltecedoras. Ou seja, pouquíssimas vezes injuriei alguém.
Ponto positivo para mim!