terça-feira, 26 de outubro de 2010

A primeira consulta com psiquiatra.

Já havia recorrido a ajuda de um profissional desses há muito tempo atrás, mas para tratar de alguns sintomas que acreditava ser depressão.
Não tive afinidade nenhuma com esse outro profissional, não conseguia me sentir bem com ela.
Tudo que fazia era o tempo todo comparar meus sintomas com Transtorno Bipolar, que é a doença psiquiátrica da moda.
Consultei apenas duas vezes, e abadonei o suposto tratamento a base de Sertralina 25 mg.

Mas ontem foi bem diferente. Saí de casa convicta que dessa vez iria fazer de tudo para resolver meu problema.
Criei coragem e fui a minha primeira consulta com uma psiquiatra pelo vício da mentira.
No caminho, enquanto dirigia, ficava ensaiando como iria falar e coisas do gênero.
Por ser um assunto muito constrangedor, e não ter a menor idéia de como seria a psiquiatra que me atenderia, estava muito tensa.

Ao chegar no consultório, me deparei com uma figura diferente, mas muito agradável.
Para preservar sua identidade, assim como a minha, vou chamá-la carinhosamente Carmencita.
Uma senhora de uns 50 anos, vaidosa, e até bem bonita para a idade que aparenta.

Foi difícil começar a explicar por que estava ali, mas foi só no começo.
Ela foi tão agradável, e me deixou tão a vontade que as palavras fluíam da minha boca naturalmente.
Não conseguiria confidenciar com uma amiga, ou meu marido, tudo que falei durante aquela consulta.
Ter alguém imparcial te ouvindo, sem te julgar em momento algum, faz toda a diferença.

Comentei a respeito de minhas pesquisas na Internet sobre a Pseudolalia, mas Carmencita estava preocupada em me tratar, e não em achar rótulos para meu distúrbio.

Algumas coisas, parece que 'a ficha foi caindo'. 
Por exemplo, falar do meu pai. Desde as minhas primeiras lembranças, ele está sempre trabalhando demais, individado, sem dinheiro, estressado...
Gente, isso não é normal!
Mas sempre que falei  respeito, não parecia ser tão grave. Ontem me dei conta de que tenho que fazer algo para que isso não aconteça comigo também.

Quando já estávamos terminando a consulta, expliquei a Carmencita o quanto era diícil e constrangedor estar ali e falar tão abertamente sobre essa doença de mentir que tenho. Também lhe contei que nunca tinha conseguido falar abertamente com ninguém a respeito, que nunca, jamais havia admitido para ninguém que minto compulsivamente.

Foi aí que Carmencita me agradeceu pela confiança. Explicou que o que realmente preciso é de terapia, pois meu caso não necessita de medicações. Disse ainda que aguma coisa da minha infância deve ter desencadeado tudo isso, e que não devia me envergonhar, pois as mentiras são sintomas, e não crimes.

Depois de algumas orientções, nos despedimos.

Cheguei em casa muito aliviada.
Contei a meu marido que tinha consultado com uma psiquiatra, mas que ainda não estava pronta para lhe contar os motivos pelo qual estou procurando ajuda.
Ele foi muito compreensivo, e não fez mais perguntas.
Não tenho certeza se ele realmente não sabe, mas essa é uma preocupação para mais adiante.

Hoje pela manhã, entrei em contato com meu plano de saúde e descori que há ma nova lei que exige que os planos deem essa cobertua de terapia, e que há dois tipos de profissionais previstos em lei que TODOS os planos de saúde são obrigados a disponibilizar: psicólogos e terapeutas ocupacionais.

É muito bom saber disso, que já dispomos de mais recursos para controlar a doença.

Agora começam os trâmites burocráticos para a terapia.

Vamos ver como será essa próxima etapa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário